Hipotireoidismo: entenda como essa disfunção pode atrapalhar seus objetivos (mas não é desculpa para não se exercitar)

COMO EU DESCOBRI QUE TINHA DISFUNÇÃO NA TIREÓIDE

Quando ainda estava na primeira ou segunda série, minha mãe colocou meu irmão e eu na natação. A aula era chata e meu irmão passava mais tempo de castigo na borda da piscina do que aprendendo a nadar.

Aos 8 ou 9 anos fomos pra uma escola de natação bacana. Aprendi a nadar bem e até fui pra equipe de “treino” (fiquei nessa equipe só uma semana e pedi pra sair, mas fui!).

Um dia eu – que fazia um dos menores tempos da turma – estava super bem, fiz uma virada perfeita e… Nos últimos 25m de piscina, parei no meio do caminho.

Foi decepcionante: para minha equipe, para o professor e, principalmente, para mim.

O professor ficou na borda da piscina perguntando o que havia acontecido e eu não tinha fôlego nem pra responder nem pra continuar nadando.

Depois disso meu rendimento caiu muito e o professor chamou minha mãe para conversar.

Na mesma época um professor da escola notou que eu estava bastante inchada e perdendo o fôlego a toa. Este também chamou minha mãe para conversar sobre isso.

Ela me levou ao médico e tivemos o diagnóstico: disfunção na tireóide.

Parei de nadar pouco depois, mas os problemas na tireóide me acompanham desde então.

Até acertar a dosagem do remédio fiquei muito inchada, achava que tudo era “culpa da tireóide” e tinha horror a exercícios físicos.

No Ensino Médio, já com os hormônios quase sob controle por conta do tratamento com levotiroxina, pedi dispensa das aulas de Educação Física ao endocrinologista. O hipotireoidismo seria minha desculpa para não me exercitar de forma alguma. Ele negou, claro.

 

O QUE É HIPOTIREOIDISMO, QUAIS OS SEUS SINTOMAS, QUAIS OS TRATAMENTOS

 

Este post NÃO tem a finalidade de esclarecer todas as suas dúvidas científicas e diagnósticas sobre disfunções na tireóide.

Vamos falar um pouco, de forma simples, sobre hipotireoidismo.

Hipotireoidismo é uma disfunção na tireóide que se caracteriza pela queda na produção dos hormônios T3 (tri-iodo-tironina) e T4 (tiroxina). É a insuficiência da atividade da glândula tireóide.

Os sintomas mais conhecidos são o ganho de peso ou dificuldade em emagrecer. Mas estes são apenas alguns dos sintomas dessa disfunção.

É muito importante mencionar que pessoas diferentes tem sintomas diferentes, ok?

O hipotireoidismo atinge cerca de 4% a 10% da população e tem maior incidência em mulheres e idosos. Mas precisamos considerar que homens, apesar da frequência menor, também podem ter essa disfunção.

Os sintomas mais comuns nas mulheres são ganho de peso, depressão, ansiedade e dificuldade em emagrecer.

Nos homens os sintomas tem relação com doenças cardíacas, diminuição de libido, disfunção erétil, aumento de peso e problemas psicológicos.

Há alguns sintomas gerais, que atingem tanto mulheres, quanto homens e, também, idosos.

São eles: fadiga ou cansaço excessivo, extremidades frias, pescoço inchado (ou bócio), perda de vigor e energia, retenção de líquidos, dificuldade para respirar e falta de ar, olhos secos ou arenosos, suores frios, entre outros.

O tratamento mais comum – e muitas vezes o único – indicado para pacientes com hipotireoidismo é a administração de levotiroxina sódica (Puran T4, Eutyrox, Synthroid, etc.).

Mas tomar o hormônio sintético apenas não elimina os sintomas na maioria dos pacientes. Com o passar dos anos a dosagem do remédio é aumentada, mas os sintomas permanecem.

A medicação, de fato, é importante. Contudo, um tratamento mais eficiente inclui modificações nos hábitos de vida, dieta específica (que será abordada em outra oportunidade), prática de exercícios físicos adequados para otimizar as funções hormonais, melhora na qualidade do sono, entre outros.

 

HIPOTIREOIDISMO E EXERCÍCIOS FÍSICOS

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Que exercícios físicos fazem bem à saúde é, praticamente, unanimidade.

Mas, no caso de portadores de hipotireoidismo, alguns exercícios podem prejudicar ainda mais suas funções hormonais.

Aqui não vamos abordar prescrição ou intensidade de exercícios e treinos.

Vamos considerar as condições e os benefícios específicos de exercícios físicos para pacientes hipotireoidianos, em geral.

Além dos sintomas já mencionados, algumas disfunções orgânico-funcionais também podem ocorrer em portadores de hipotireoidismo, como: diminuição da pressão arterial e da variação da frequência cardíaca, aumento do nível de colesterol e diminuição da sensibilidade à insulina.

A prática de exercícios físicos adequados ajuda tanto na parte respiratória dos portadores de disfunção na tireóide, quanto na parte cardiovascular.

Ainda não há protocolos quanto à prescrição de exercícios ou estudos aprofundados sobre o assunto.

No entanto, há alguns cuidados a serem observados, nesse caso, semelhantes àqueles tidos com pacientes cardíacos e pulmonares, ou seja, deve-se levar em conta o tipo, a frequência e a duração do exercício e, claro, o nível de hidratação da pessoa.

A capacidade aeróbia dos hipotireoidianos é reduzida, mas não há recomendação específica quanto à prescrição de atividades físicas para portadores dessa disfunção.

A capacidade do organismo em tolerar esforços físicos é reflexo da ação integrada dos sistemas respiratório, cardiovascular e muscular. Ou seja, pessoas com hipotireoidismo tem como consequência da disfunção uma diminuição da sua capacidade funcional e da tolerância ao esforço.

Por conta do hipotireoidismo, o organismo apresenta baixos níveis de hormônios tireoidianos e, por isso, exercícios intensos e prolongados fazem com que a demanda periférica por esses hormônios aumente.

Paralelo a isso, ocorre um aumento nos níveis de cortisol, o que prejudica a conversão de T4 (tiroxina) em T3 (tri-iodo-tironina) devido a sua ação sobre a enzima deiodinase – que é enzima envolvida na ativação ou inativação dos hormônios tireoidianos.

Nesse quadro, temos um organismo com alta demanda pelo hormônio tireoidiano e pouca oferta.

A maioria dos exercícios causa estresse excessivo ao corpo.

Consideremos os exercícios catabólicos, por exemplo.

Catabolismo é o metabolismo em degradação, ou seja, consumo ou destruição de algum composto, tecido ou substância. Em outras palavra: o estresse produzido pelo corpo degenera seu próprio tecido.

No caso de portadores de hipotireoidismo, o corpo não se recupera corretamente do exercício estressante. Então, ao fazer certos exercícios há degeneração sem que o corpo consiga se “reconstruir”.

Além de ficar sem “gás” e não conseguir reunir energia suficiente para voltar a praticar o exercício, a pessoa pode, também, sofrer algum tipo de lesão.

Há alguns tipos de exercícios que podem agravar o quadro de hipotireoidismo. Isso porque, conforme mencionamos, o hipotireoidismo é, também, um problema respiratório.

Executar exercícios cardiovasculares além do limite, por exemplo, pode ser uma péssima ideia para hipotireoidianos. O exercício cardiovascular provoca uma resposta de estresse crônico catabólico. Pode até ser que haja perda de peso, mas provavelmente será devido a degradação do tecido muscular. Tal processo não só é estressante e inflamatório, como também contribui para o hipotireoidismo.

Exercícios de alta intensidade (HIIT ou HIT), que diferem do “cardio” tradicional, sendo treinos mais curtos e muito mais intensos, também podem ser má ideia para portadores de hipotireoidismo, já que, em virtude da disfunção, essas pessoas tem problema prévio de armazenamento de açúcar no fígado. Os treinos intervalados exigem que o organismo use grandes quantidades de açúcar rapidamente. Se este açúcar não estiver disponível, o organismo é sobrecarregado e a elevada quantidade de estresse faz com que ele seja incapaz de se recuperar.

Talvez seja interessante aos hipotireoidianos realizar exercícios que promovam e estimulem, principalmente, processos de reparação e criem reconstrução tecidual.

Ioga ou Pilates, por exemplo, utilizam técnicas de respiração para estimular o sistema saudável de energia oxidativa. Não são exercícios intensos, mas projetados para exercitar mais a concentração do que os músculos. Ao invés de criar estresse, esse tipo de exercício diminui o nível de estresse tendo um impacto hormonal positivo.

Como já dissemos, pessoas diferentes tem sintomas e reações diferentes.

Cada pessoa deve interpretar individualmente as respostas do organismo aos exercícios praticados. Pode ser que você tenha hipotireoidismo e seja um corredor. Ou quem sabe, não aguente 5 minutos de corrida direto.

Procurar profissionais de saúde competentes auxilia – e muito – na obtenção de melhores resultados. Não apenas na estética, mas principalmente na sua saúde.

Comece já sua mudança. Nem tudo é culpa da tireóide!

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